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Autoconstrução estimula informalidade
(06/12/2005) - O presidente do SindusCon-SP, João Claudio Robusti, criticou os programas habitacionais da União e do Estado de São Paulo que promovem a auto-construção. "Dizer que a autoconstrução não pode ser confundida com informalidade é um equívoco. A autoconstrução estimula a informalidade, quando é motivada por programas habitacionais, e isso está ficando cada vez mais claro.” A declaração foi feita em resposta a uma apresentação feita em palestra de uma consultora da Booz Allen, ontem, 21 de novembro, no I Fórum Nacional da Sustentabilidade da Construção, realizado pela revista Arquitetura & Construção da Editoria Abril, na sede da Federação do Comércio, na capital paulista. O coordenador do Comitê de Tecnologia e Qualidade do sindicato, Maurício Bianchi, participou do painel de encerramento do evento. O presidente do SindusCon-SP manifestou discordância em relação à argumentação da consultora, de que a informalidade é uma realidade na construção civil e que estimular a auto-construção não equivale a incentivar a informalidade. "É um equívoco. A lei da sobrevivência está nos levando à lei da selva. Hoje, a Caixa e a CDHU estão direcionando uma fatia maior de seus recursos para a autoconstrução, enquanto a construção formal recebe proporcionalmente menos. Acontece que o segmento formal, responsável por 36,8% do produto da construção, acaba tendo que pagar 63% do que é arrecadado", disse. Ele propôs uma inversão gradual das políticas públicas, de forma que a maior parte dos recursos de financiamentos sejam direcionados à produção pelas construtoras formais. E também reafirmou a proposta de que o PBQP-H seja mantido e aperfeiçoado, transformando-se no único programa de qualidade aceito em todo o país, e que não seja compulsório mas sim incentivado, com vantagens para as empresas que o adotarem. O presidente do SindusCon-SP falou durante painel que contou com as participações do superintendente de Engenharia da Caixa, José Carlos Barbosa Carneiro; da coordenadora do PBQP-H, Salete Weber; e do professor Orestes Gonçalvez, da Poli-USP, com mediação do consultor Rubens de Almeida, que também foi o curador do encontro. Na abertura, o economista Eduardo Gianetti da Fonseca afirmou que o deslocamento de 40% da renda para pagar gastos públicos correntes e a ausência de estímulos para investimentos de longo prazo são responsáveis pela ausência de crescimento sustentável no país. "Desde o início do governo de Fernando Henrique Cardoso, temos no máximo épocas de recuperação cíclica, mas quando isso começa a pressionar os preços, o Banco Central intervém, elevando os juros. Debelamos a inflação, o que diminuiu a incerteza, mas só teremos crescimento sustentável com profundas reformas, que poderiam ser feitas no primeiro ano da próxima gestão."
Fonte de referência: Construmail 1222 |
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